sábado, outubro 06, 2007

México

“O Mal Casado”, de Bobby e Peter Farrelly

Ben Stiller volta a trabalhar com os irmãos Farrelly uma década depois de “Doidos por Mary”, aproveitando uma premissa interessante e uma personagem adequada ao seu registo, tal como a oportunidade de contracenar com o pai (Jerry Stiller é sempre divertido como “cota maluco”).

Tal como em “Fanaticamente Apaixonado”, os Farrelly deixam escassas marcas pessoais no resultado final, surgindo apenas uma vez ou outra o humor directo e grosseiro que os celebrizou. Aliada à reduzida qualidade técnica da realização, esta assepsia torna o filme algo insosso e sem grandes momentos.

Começando de forma razoável, o argumento perde-se progressivamente num emaranhado de clichés, equívocos batidos e soluções óbvias, com as piadas a desgastar-se (como os “mariachis”) e a expressão dos sentimentos dos personagens a revelar-se aborrecida. Stiller e os actores secundários são convencionais, não desiludindo mas também não acrescentando muito à longa-metragem.

Esta comédia romântica acaba por não passar da mediania, apesar da bizarria (mais embaraçosa que engraçada) de algumas situações. Desde “O Amor é Cego” que os Farrelly não fazem um filme realmente divertido, o que é desapontante tendo em conta o talento e a irreverência de que outrora deram sinais.
A melhor cena: Eddie tenta voltar à Califórnia.
A pior cena: Eddie pensa que Miranda o compreende.

Nota: 5/10.

terça-feira, outubro 02, 2007

Chato

No último número da revista “Atlântico”, Vasco Pulido Valente assina um texto politicamente incorrecto (para variar) sobre “As Vidas dos Outros”, de Florian von Donnersmarck. O historiador classifica o filme germânico como “uma série de lugares comuns, mal copiados do produto médio da televisão”. Cinematograficamente, “nem sequer valia a pena falar dele” (será assim tão inútil falar de filmes maus?). Analisando o argumento, e em especial a personagem principal, Valente denuncia a sua inverosimilhança, tendo em conta a lógica tradicional de funcionamento das polícias políticas.

Para lá do julgamento subjectivo (embora o artigo não se alongue muito acerca das falhas da longa-metragem) sobre o valor de “As Vidas dos Outros”, surge a questão do rigor histórico no cinema. Deverá a fidelidade ao que realmente aconteceu (?) sobrepor-se às necessidades das histórias contadas pelos cineastas, nomeadamente nos casos em que sem um pouco de ficção não havia argumento (como acontece em “Gladiador”)? Quando não são abordados episódios verídicos, a obsessão com a verosimilhança parece-me dispensável, quanto mais não seja porque as histórias com maior interesse costumam ser precisamente aquelas que fogem à norma e ao que deveria ter acontecido.

Vasco Pulido Valente cumpre a função habitual do chato que não se deslumbra facilmente e põe tudo em causa, esclarecendo a ralé. É desconcertante, mas quem mais desempenharia esse papel?

segunda-feira, setembro 24, 2007

Álcool

“Super Baldas”, de Greg Mottiola

O novo filme de Judd Apatow (aqui produtor) e Seth Rogen (actor e argumentista, protagonizando o ansiado “Um Azar do Caraças”) retrata uma fase de transição no percurso de dois jovens, entre o liceu e a faculdade, ou, noutro plano, entre a virgindade e a vida sexual. O maior trunfo da obra é precisamente o cuidado na descrição dessa encruzilhada, vivida por personagens bem construídas.

Como em “Virgem aos 40 Anos”, surge aqui a questão de como falar de sexo sem cair na vulgaridade ou na pura estupidez. Esta é combatida por um humor atrevido mas não grosseiro. Quanto à sexualidade, opta-se por dizer e mostrar tudo de forma descarada sem esquecer os sentimentos e recorrendo a provocações divertidas (como a série de desenhos exibida no final).

Apesar da fuga à asneira, o argumento nunca chega a ser brilhante, prolongando demais a história. A identificação com os jovens leva-nos a partilhar o embaraço destes com situações que caem no absurdo sem serem particularmente engraçadas. O trabalho eficaz dos actores sobressai devido à fraqueza da realização.

“Super Baldas” vale sobretudo pelo que não é, escapando a clichés e obscenidades frequentes no tipo de comédias em que se insere. O espírito do filme é um pouco aquele que é traduzido nos descontraídos polícias: diversão despretensiosa, fazendo disparates de vez em quando mas sem perder a sensibilidade.
A melhor cena: Seth explica porque não gosta de Becca.
A pior cena: Fogell dispara contra o carro.

Nota: 6/10.

terça-feira, setembro 18, 2007

Fim

A “Premiere” (1999-2007) portuguesa chega ao fim. Ser cinéfilo por cá deixa de ser a mesma coisa.

Seria bom que surgisse uma nova publicação que preenchesse o vazio deixado pela “Premiere” e prosseguisse a tradição de revistas de cinema em Portugal que já vem dos anos 20. No entanto, este fracasso financeiro de um projecto aparentemente seguro, as despesas elevadas que uma publicação deste tipo envolve e experiências falhadas do passado (como a “Primeiras Imagens”) tornam improvável o aparecimento a curto prazo de uma iniciativa editorial ao nível cinematográfico

sábado, setembro 15, 2007

Animação

Já com dois terços de 2007 para trás, é esta a lista dos dez filmes mais vistos nas salas portuguesas:

1. “Shrek o Terceiro”
2. “Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo”
3. “Mr. Bean em Férias”
4. “Harry Potter e a Ordem da Fénix”
5. “Homem-Aranha 3”
6. “Ratatui”
7. “Diamante de Sangue”
8. “Os Simpsons: O Filme”
9. “Ocean’s 13”
10. “Transformers”

As obras de animação revelam grande pujança, com “Ratatui” a pretender pôr em causa o primeiro lugar de “Shrek o Terceiro” (será difícil, mas não impossível). De resto, destaca-se “Diamante de Sangue”, como o único “sobrevivente” do primeiro trimestre do ano no rol.

quinta-feira, setembro 13, 2007

Isto anda muito mau por cá, o cinema anda pior

Depois de muitas estreias de Verão, aparece em Portugal um vazio brutal de conteúdos. Se quiser, poderia fazer uma crónico social, uma vez que esse vazio vai muito para lá do cinema.

Falando apenas de cinema, posso desde já dizer que estou muito apreensivo com as escolhas que serão feitas até ao final do ano pelas distribuidoras.

Vendo a lista de filmes a estrear, fico muito hesitante. Falta aqui grandes filmes!


SETEMBRO 2007


DUELO IMORTAL - A ANIMAÇÃO DUELO IMORTAL - A ANIMAÇÃO
Highlander: The Search for Vengeance
de Yoshiaki Kawajiri
com Dave Mitchell e Alistair Abell

Surpreendente estreia, ver anime no cinema é sempre interessante.

DUELO IMORTAL - A ORIGEM DUELO IMORTAL - A ORIGEM
Highlander: The Source
de Brett Leonard
com Adrian Paul e Thekla Reuten

Pelo que se ouve é um filme assustador.

2 DIAS EM PARIS 2 DIAS EM PARIS
2 Days in Paris
de Julie Delpy
com Julie Delpy e Adam Goldberg

Será que somente Delpy faz um filme ficar interessante?

EM NOSSA CASA EM NOSSA CASA
A Casa Nostra
de Francesca Comencini
com Valeria Golino e Luca Zingaretti

O SABOR DA MELANCIA O SABOR DA MELANCIA
Tian Bian Yi Duo Yun
de Ming-Liang Tsai
com Kang-sheng Lee e Shiang-chyi Chen

Trailer muito apetitoso...

CHINA CHINA CHINA CHINA
China China
de João Pedro Rodrigues
com Luís Rafael Chen e Chen Jialiang

MALA NOCHE MALA NOCHE
Mala Noche
de Gus Van Sant
com Tim Streeter e Doug Cooeyate

UM CORAÇÃO PODEROSO UM CORAÇÃO PODEROSO
A Mighty Heart
de Michael Winterbottom
com Angelina Jolie e Dan Futterman

Alguma curiosidade, nada mais.

O GANG DO PI O GANG DO PI
Shark Bait
de John Fox
com Freddie Prinze Jr. e Evan Rachael Wood

Dia 20


O CAPACETE DOURADO O CAPACETE DOURADO
O Capacete Dourado
de Jorge Cramez
com Eduardo Frazão e Ana Moreira

Trailer assustador.

MORTE NUM FUNERAL MORTE NUM FUNERAL
Death at a Funeral
de Frank Oz
com Matthew MacFadyen e Rupert Graves

Este deve ser um filme comercial competente.

ULTIMATO ULTIMATO
The Bourne Ultimatum
de Paul Greengrass
com Matt Damon e Julia Stiles

O primeiro bom final de uma trilogia do ano?

MANDELA: MEU PRISIONEIRO, MEU AMIGO MANDELA: MEU PRISIONEIRO, MEU AMIGO
Goodbye Bafana
de Bille August
com Joseph Fiennes e Dennis Haysbert

SUPER BALDAS SUPER BALDAS
Superbad
de Greg Mottola
com Jonah Hill e Michael Cera

PINTAR OU FAZER AMOR PINTAR OU FAZER AMOR
Peindre ou Faire L’amour
de Arnaud Larrieu
com Sabine Azéma e Daniel Auteuil




semanas seguintes


27-09-2007
SEM RESERVA (NO RESERVATIONS)
IRINA PALM
A MORTE DO SR. LAZARESCU
DOMINO
EL CANTANTE
FAY GRIM


OUTUBRO 2007


04-10-2007
A PROMESSA (THE PROMISE)
ESTÁS CADA VEZ MAIS FRITO, MEU! (ARE WE DONE YET?)
VIAGEM SECRETA
WHITE NOISE 2: THE LIGHT
GRINDHOUSE: PLANET TERROR
O CAMINHO DO GUERREIRO PACÍFICO (PEACEFUL WARRIOR)

11-10-2007
RESIDENT EVIL 3 - EXTINCTION
A VIDA INTERIOR DE MARTIN FROST
RUSH HOUR 3
O ESCAFANDRO E A BORBOLETA (LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON)

13-10-2007
A PAIXÃO DE JOSÉ, O JUDEU (LA PASSIONE DI GIOSUÉ L´EBREO)

18-10-2007
DELIRIOUS
A CAUDA DO TIGRE (THE TIGER'S TAIL)
AS CANÇÕES DE AMOR
12:08 EAST OF BUCAREST
CONTROL
ELES (ILS)
UM AZAR DO CARAÇAS

25-10-2007
THE BRAVE ONE
EVENING
LONELY HEARTS
A OUTRA MARGEM
BONNEVILLE
OS SEIS SINAIS DA LUZ (THE DARK IS RISING)
ANJOS E VIRGENS (VIRGIN TERRITORY)

Constatando, os recentes filmes dos festivais não estão presentes, sendo substituídos por todos os filmes comerciais por estrear. Mais uma vez, as distribuidoras esperam pelos Globos e Óscares para decidirem o futuro.


Para finalizar, esta lista foi retirada do site 7ª arte, a quem dou desde já os parabéns pelo excelente trabalho de divulgação cinematográfica.

segunda-feira, setembro 10, 2007

E sai uma americana no pão!

Eli Roth é um tipo estranhamente inteligente e realiza filmes estupidamente sangrentos. O seu último filme, Hostel 2 é um amontoado de sequências de mau gosto com gajas boas. Pensando bem, um amontoado de sequências de bom gosto com gajas boas, poderia fazer com que este filme não fosse de terror, mas fosse um pornográfico. E se fosse um pornográfico... hummmmmmm.

Mas por falar em pornográfico, veja-se a força que o capitalismo tem. Os ricaços matam e os pobres desgraçados que andam nos comboios são caçados. Roth gosta de imaginar cenas retorcidas e filmá-las dentro do possível com o mau gosto que cative os adolescentes americanos.
Sim, porque este mau gosto é uma máquina de fazer dinheiro e é um mau gosto cinematograficamente ignorante, sem chama e pouco provocador.

A Roth sugiro umas revisões da lição, uns visionamentos dos mestres Carpenter e Rommero, porque a litrada de sangue pode servir uma boa premissa.

sábado, setembro 08, 2007

Horror

Algumas notas sobre filmes que abordam o 11 de Setembro (um acontecimento que, apesar do choque que ainda representa, é já relativamente comum na ficção “histórica” americana):

“Voo 93”: Paul Greengrass retrata, além do caso do quarto avião desviado, a perplexidade e a descoordenação das autoridades civis e militares perante os ataques. A realização com a câmara sempre em movimento, apesar de por vezes favorecer a confusão e até algum distanciamento, destaca as personagens colectivas e cria, apesar do conhecimento prévio do final, bons momentos de “suspense”.

“World Trade Center”: Embora também parta de situações verídicas, a produção de maior vulto sobre o tema é afectada por uma abordagem algo convencional. Oliver Stone concebe um filme competente, evitando ferir susceptibilidades.

“11.09.01: 11 Perspectivas”: Recolha das opções artísticas de cineastas de vários pontos do mundo (o que é adequado a uma tragédia de impacto global) que apresenta propostas diversificadas, entre as que focam directamente os ataques ou (como a japonesa) reflectem sobre os fenómenos mentais e políticos na sua origem.

“Fahrenheit 9/11”: Michael Moore consegue um efeito emocional forte não mostrando as imagens bem conhecidas da destruição mas sim as reacções da população que a ela assistiu. O que surge depois são teorias, aceitáveis ou não segundo as convicções de cada um, sobre o contexto dos atentados e das guerras posteriores. No que respeita ao objectivo central do realizador, revela-se a inépcia do presidente Bush no momento de reagir.

"De Repente, Já nos 30!”: Se no final a personagem de Jennifer Garner recua de 2004 até 1987, não poderia fazer qualquer coisa para tentar evitar o 11 de Setembro (só mesmo eu para me lembrar disto)?

“A Última Hora”: Spike Lee apresenta uma obra brilhante e pioneira passada numa Nova Iorque onde as marcas (inclusive as físicas) dos atentados persistem, mas procura-se seguir em frente. Numa cena célebre, os terroristas são um dos alvos onde Edward Norton descarrega a sua raiva.

Os efeitos psicológicos gerados pelo 11 de Setembro estão igualmente presentes, de forma mais ou menos subtil, nos últimos filmes de Steven Spielberg (“Terminal de Aeroporto”, “Guerra dos Mundos”, “Munique”) e em numerosas produções, incluindo o cinema de acção.

Curiosidade

Pensando bem, a escolha é quase idêntica.

Ao nível que estes filmes estão, prefiro não os ordenar. São a meu ver, grandes filmes, grandes marcos da 7ª, aos quais deixo um breve comentário.

"Cartas de Iwo Jima"

Um filme obrigatório, um olhar há muito necessário, para um Mundo Ocidental marcado pelas imagens americanas da Guerra. Eastwood é o realizador certo, o homem respeitador de uma cultura e de uma forma de estar na vida.


"As Vidas dos Outros"

Notável, admirável na maneira como aborda a redenção e como as criações humanas podem fazer um homem criar e quebrar as suas convicções. Argumento brilhante, actor principal brilhante, que infelizmente já desapareceu.

"Zodiac"

Um filme que nos envolve naquilo que o próprio caso foi, inconclusivo. Fincher assina um filme brilhante, reforçado pelas escolhas artisticas certezas e por um cast de grupo brilhante.

"The Fountain"

Um dos filmes mais esquecidos e mal tratados do ano. INJUSTO!
Uma magnífica história de amor, magistralmente contada com o melhor papel da carreira de Hugh Jackman.

"Ratatui"

O melhor filme de animação dos últimos dez anos. Palavras para quê?

sábado, setembro 01, 2007

Provocação

“Inocência Sedutora”, de Marcos Siega

Prosseguindo com o ciclo de filmes “indie” passados em Los Angeles (divulgados por cá através do DVD), encontramos esta comédia sensual e perversa que adopta uma atitude provocadora, fascinando pela amoralidade da sua protagonista.

Evan Rachel Wood parece nascida para o papel, revelando-se deliciosamente diabólica numa personagem manipuladora mas frágil lá no fundo. Muitos dos sorrisos causados pela obra devem-se também ao desbocado James Woods, com o resto do elenco a um nível regular. Os diálogos e a abordagem directa de questões como o racismo, a histeria mediática e até o conflito israelo-palestiniano constroem uma audaciosa incorrecção política.

Estreante na realização, Siega revela alguma inexperiência e falta de imaginação, com algumas cenas a parecer demasiado extensas. Apesar da eficácia da sua divisão temporal, o filme é algo desequilibrado, conhecendo no final uma arriscada deriva dramática.

Apesar das suas limitações e de ser por vezes excessivamente óbvio, “Inocência Sedutora” mostra a capacidade do cinema independente americano de se esquivar às convenções das grandes produções.
A melhor cena: Kimberley “conforta” Brittany após a ruptura.
A pior cena: Grace lê a redacção.

Nota: 6/10.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Até agora

Os melhores filmes do ano:

1. "Cartas de Iwo Jima"
2. "Ratatui"
3. "Zodiac"
4. "As Vidas dos Outros"
5. "Hot Fuzz"

sábado, agosto 25, 2007

Relações

“Amigos com Dinheiro”, de Nicole Holofcener

O filme que abriu o festival de Sundance em 2006 reúne um elenco feminino invejável (Jennifer Aniston, Joan Cusack, Catherine Keener e Frances McDormand), servindo-se dele Holofcener, também argumentista, para conduzir uma comédia dramática com mais melancolia que piadas.

O aspecto realista da obra, acentuado por uma realização que se concentra no trabalho dos actores, é um ponto a favor do retrato da vida de várias personagens de Los Angeles, focado sobretudo na convivência de amigas diferentes entre si e nas relações amorosas que possuem, com maior ou menor sucesso. A qualidade dos actores (nomeadamente McDormand) e dos diálogos é essencial para a eficácia e inteligência do projecto.

No entanto, esta longa-metragem sofre do problema raro de ser demasiado curta, terminando de forma quase abrupta e inviabilizando um maior desenvolvimento da situação de cada casal. O que “Amigos com Dinheiro” ganha em síntese perde no tempo reservado para cada uma das personagens.

A obra concebida por Holofcener revela-se um produto “indie” (tem gente a fumar erva e a discutir sexualidade) bem conseguido mas que não é suficientemente ambicioso para ficar na memória.
A melhor cena: Olivia no supermercado.
A pior cena: David lava os dentes.

Nota: 6/10.

AVP 2

Não tive coragem para ver o Aliens VS Predator do "grande" Paul W. Anderson. Este senhor é sinceramente um dos piores realizadores em recorrente actividade. A única coisa que o senhor deve ter feito bem na vida, foi conquistar e "papar" a sua namorada, a grande Milla.

O primeiro filme não me cativou. Primeiro mudou os designs das criaturas, fundamentalmente do Predator e depois colocou um PG-13. A Fox fez uma manobra inteligente, não mostrando o filme aos críticos antes da estreia. Posteriormente, foi considerado um filme menor e não deixou grandes saudades.

Curiosamente, descobri que este ano vai sair o segundo e pelo trailer, até não tem mau aspecto. É gore, os realizadores são novos e eram autores indie com prémios na carteira, o que sinceramente me deixou com algum interesse. O grande problema é que o PWAndeson inventou algo nojento, o Predalien...

Aqui podem ver o trailer.

sexta-feira, agosto 24, 2007

Um artigo verdadeiramente mau, um Verão pior.

Este verão de cinema foi verdadeiramente mau. É preciso de ser sincero e temos de provocar reacção. Hollywood produz cinema capaz de cativar todos os rapazes e raparigas de 6 anos e mostra-se impotente perante qualquer ser pensante, fora do Universo Americano.

Vi quase todos os Blockbusters de Verão e sinceramente um foi excelente e outro foi potável. Os restantes foram maus e o nº 3 já enjoava.

Tudo começou com os Piratas 3, que honestamente é chato e não conseguiu ter força para fechar a trilogia com alguma dignidade. Seguiu-se o Homem-Aranha, novamente nº 3, é sinceramente um dos piores filmes que vi. É estruturalmente nulo, o argumento é péssimo e não consigo perceber o que faz Sam Raimi dirigir algo tão mau. Shreck é mais do mesmo, com tendência a secar a fonte de piadas aos contos de fadas e nem o Burro consegue salvar a honra do convento.

Chegou aquele que estava à espera há muito tempo, Die Hard 4. Gostei de quase todo o filme, até ao avião e até ter revisto os anteriores, que são brutalmente melhores (mesmo o nº2). O argumento é fraco e pensando um pouco sobre o que vi, o filme tem uma enorme falta de coragem, sendo politicamente correcto ao extremo. Era vejamos:

- Pg-13 conseguido de uma maneira nojenta. Se ouvirmos com atenção no final o tiro esconde o palavrão "mother-fucker" e o McClane passa o filme a dizer butthead e palavras semelhantes.
- O Len Wiseman pode ser muita coisa menos um sábio (WiseMan). É um tarefeiro, que tem de melhorar muito a sua técnica de montagem.
- E o avião... Será que não fazia falta no Iraque? Tinha mesmo de estar ali?

No final, fiquei com a ideia que tinhamos um Willis cheio de ganas e um filme que não correspondeu ao litro que ele deu.


Que venham bons filmes por favor!

De resto, PONTO FINAL...




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quinta-feira, agosto 23, 2007

Ficheiros Secretos

Passados mais de dez anos, voltei aos Ficheiros Secretos, dado que a série estreou por cá em DVD.

Até ao momento tive a oportunidade de assistir às três primeiras sessions. E que experiência magnífica...

Na era das séries de televisão, em que por todos os escaparates vemos dezenas de séries, desde recentes às mais antigas, não tenho receio em afirmar, que muito disto se deve aos X-Files e à série de Lynch, Twin Peaks. Os seus autores viram no espaço televisivo, algo mais que um espaço para contar histórias medianas, com uma estrutura muito estrita e sem grande valor narrativo e mesmo visual e cenográfico.
A diferença é que Carter conseguiu manter a qualidade global da sua série durante mais tempo e Lynch foi absorvido pelos produtores gananciosos que começaram a tirar-lhe o tapete e não lhe respeitaram o processo de autor.
No entanto, isto são outras histórias.


A série de Chris Carter é prodigiosa em termos visuais, os argumentos são magníficos (quero dizer que em cerca de 70 episódios existem mais altos que baixos) e a maneira como Carter presta homagem a grandes séries antigas (Twilight Zone) e aos cinematográficos mitos dos Extra-Terrestres, é digna de um grande apreciador de fitas de Série B, que as gosta de desconstruir e criar novos espaços para movimentar as suas criações.

Falando das suas criações falo de Mulder e Scully, personagens com uma dimensão fascinante e verdadeiros icones pop. A subversão completa do Buddy Cop é notável. Carter nunca se deixa cair na atracção e quimíca das personagens perferindo sempre elevar essa quimíca a uma amizade e respeito mútuos.

Um aspecto fundamental do visionamento em DVD é o seguimento da trama. Nos X-Files é fundamental ver todos, mesmo TODOS os episódios. Existem pequenos detalhes num episódio, que serão fundamentais para toda a trama que "rebenta" lá para o final de cada session. Um aspecto que os fãs adoram e que os outros não gostavam, é o facto de ficar sempre algo em aberto, disponível para a nossa imaginação, ou mesmo para a nossa interpretação. Foi isto que me fascionou e que me leva a recomendar o visionamento das três primeiras séries, já lançadas em Portugal.

NOTA: mais uma vez o trabalho da versão portuguesa é extremamente fraco. O dvd de extras muito interessante, com os relatos da equipa sobre a concepção de cada série não está legendado, o que realmente não dá para compreender.




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segunda-feira, agosto 20, 2007

Passado

“Déjà Vu”, de Tony Scott

Combinando uma perspectiva realista (através do “regresso” do cinema a Nova Orleães após os danos, visíveis no filme, do “Katrina”) com uma aproximação à ficção científica, este “thriller” de acção aposta sobretudo no carisma de Denzel Washington e na habilidade de Scott em encenar o espectáculo.

Apesar das eventuais incoerências do esquema que permite a viagem no tempo, os riscos da introdução do elemento fantástico são eficazmente geridos. O argumento explora uma das possibilidades mais humanamente compreensíveis da ida ao passado, introduzindo-a com a verosimilhança possível e acentuando sobretudo a dinâmica da busca e do confronto com o vilão (Jim Caviezel breve mas impressionante). Apenas destoa o carácter algo forçado da ligação romântica e do final feliz a que conduz, habituais nas grandes produções.

Com um actor forte e imparável no principal papel, resta a Scott concentrar-se numa realização que encontra os planos mais adequados e imprime o ritmo necessário à trama. Trata-se, a esse nível, de um filme de acção exemplar, garantindo a emoção e o interesse ao longo de duas horas.

Os meios técnicos disponibilizados são utilizados competentemente numa obra que, embora talvez frágil na teoria que a orienta, assegura níveis elevados de entretenimento.
A melhor cena: A perseguição.
A pior cena: Claire aponta a arma a Doug.

Nota: 7/10.

Ratatouille

É fascinante, é maravilhoso!

Quantos são os filmes, que vistos nos cinemas nos suscitam estes elogios. Mas quantos os
fazem perdurar no tempo?

Ratatouille é fascinante e será sempre maravilhoso. Tinha uma espectativa muito alta para este filme. Porquê? Sou um maluco por pequenos roedores e isto era um sonho, um filme com ratos. Andei a meter wallpapers do filme nos últimos meses e vi o trailer muitas vezes.

No entanto, pelo que tenho experiência, o filme nunca nos dá o que esperamos dele, dada a expectativa criada. Fico feliz quando vejo Ratatouille e constato que é o melhor filme de animação jamais feito com animais.

É uma afirmação forte, mas eu irei defendê-la com todas a minhas forças e posso justificá-la:

1º - Os humanos e os animais não falam.

2º - A comunicação é feita com mimíca, que gera as melhores cenas do filme.

3º - O rato tem um estrutura enquanto personagem, vincada e bem estruturada, tendo

família e interesses próprios.

4º - O humano não é de qualquer modo o defensor do modo correcto de fazer as coisas, nem
sequer o mote para o animalizinho. É tudo subvertido, sendo o humano que leva o animal à afirmação.

5º - O animal não canta.

Brad Bird cria um argumento delicioso, com um pulmão de aventura, que me recorda trabalhos de Hayao Miyazaki, sobretudo nas cenas de perseguição ao rato, que são magistrais momentos cinematográficos, tais como também vimos no Castle In The Sky ou mesmo Future Boy Conan.

Cinema total, muito inspirado, fascinante nos pequenos detalhes, com personagens carismáticas e opções artistícas que a Pixar estava a necessitar urgentemente, para fugir ao filme visualmente fantástico, mas sem um suporte narrativo consistente.


Brad Bird é o homem que John Lasseter necessita para quebrar e descontruir o estilo Pixar, este é um homem forte, com convicções e que consegue ombrear com o génio fundador Pixar e vice da Disney.

Remy, tens um grande fã com quase 30 anos, não pela comida, mas pela magia e por ter voltado a ser um puto durante 100m.

Possivelmente o melhor filme de animação Pixar, pós Monsters Inc ou mesmo Toy Story.

Um dos grandes filmes do ano e o melhor blockbuster de Verão até à data.

Classificação : 19(0-20)

segunda-feira, agosto 13, 2007

Estreias

“Para Tudo Há uma Primeira Vez”, de Nick Guthe

Nick Guthe estreia-se no cinema com uma obra “indie” que combina actores conhecidos com a história de uma família disfuncional dos subúrbios ricos de Los Angeles que se vai desfazendo através do crime e da traição.

O argumento de Guthe revela inabilidade em lidar com o registo que assume, não convencendo como comédia nem como filme negro. Por sua vez, a debilidade da montagem e da realização parecem mais adequadas à televisão que ao cinema.

A interpretação de Carrie-Anne Moss, como uma mulher drogada e excessiva, fornece algumas situações divertidas, apesar da brutalidade que as caracteriza. Com o desaparecimento da personagem de Moss, tudo se torna bastante denunciado, destacando-se Alec Baldwin pela banalidade.

O filme serve para admirar a sensualidade da “mal-comportada” Nikki Reed e observar Carrie-Anne Moss como nunca a vimos antes, mas é demasiado fraco a todos os níveis para ganhar durabilidade.
A melhor cena: Diane procura as chaves.
A pior cena: Martin luta com Rudell.

Nota: 4/10.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Tributo

“World Trade Center”, de Oliver Stone

Depois do falhanço de “Alexandre, o Grande”, Oliver Stone viu certamente com agrado um projecto comercialmente seguro que procuraria apelar à união do público americano e prestar tributo às vítimas e aos heróis do 11 de Setembro. Este propósito não seria necessariamente incoerente em relação ao percurso contestatário do realizador.

O sacrifício dos polícias nova-iorquinos é representado em “World Trade Center” pelos personagens verídicos interpretados por Nicholas Cage e Michael Peña, que contribuem para a eficácia do drama com o seu desempenho, sobretudo nas cenas passadas debaixo dos escombros. Por seu lado, Maria Bello e Maggie Gyllenhall cumprem sem grande rasgo o seu papel de faces mais visíveis das famílias afectadas pela tragédia. A vida dos casais é retratada em “flashbacks” que se tornam um pouco forçados.

Contido mas expressivo ao mostrar o choque e as situações impressionantes daquele dia, Stone revela-se demasiado convencional no tratamento do drama particular dos protagonistas e introduz cortes pouco plausíveis entre acontecimentos. O apelo aos sentimentos do espectador é por vezes demasiado básico e superficial, anulando a competência formal.

Trata-se de um filme muito “americano”, com o que isso tem de bom e de mau. No entanto, está longe de esgotar as abordagens possíveis do 11 de Setembro (inclusive quanto ao seu impacto mundial, brevemente referido por Stone), como já foi mostrado.
A melhor cena: O ruído do cano é detectado.
A pior cena: John magoa-se no telhado.

Nota: 6/10.

Sete

Foram estes os dez filmes com mais espectadores em Portugal nos sete primeiros meses de 2007:

1. “Shrek o Terceiro”
2. “Piratas das Caraíbas: Nos Confins do Mundo”
3. “Mr. Bean em Férias”
4. “Homem-Aranha 3”
5. “Harry Potter e a Ordem da Fénix”
6. “Diamante de Sangue”
7. “Ocean’s 13”
8. “À Noite no Museu”
9. “Transformers”
10. “Babel”

Inicia-se já a competição cerrada entre as grandes produções de Verão, com o regresso de Shrek a revelar-se financeiramente triunfal, Potter a atrair o vasto público do costume e os robôs de Michael Bay a confirmarem o êxito internacional. Só Mr. Bean vai resistindo à inevitável queda na tabela das obras estreadas nos primeiros quatro meses do ano. Falta ainda avaliar o impacto da aventura cinematográfica dos Simpsons.