O último filme de Redford faz parte de um conjunto de obras surgidas no ano passado visando retratar o estado actual da “guerra contra o terrorismo” e todas as suas implicações na América e na forma como esta se encara. Embora assuma uma perspectiva nitidamente “liberal”, o cineasta evita cair na condenação fácil ou em simplificações abusivas.
O aspecto mais valioso da (pouco) longa-metragem acaba por ser o estímulo feito pelo actor/realizador à participação cívica e a um esforço de politização que impeça a letargia de uma população potencialmente manobrável. A personagem de Tom Cruise (que ainda consegue fugir ao rótulo de estrela doida) representa uma “direita” que pode justificar decisões erradas com as melhores intenções.
È pena que, a nível cinematográfico, a obra não ultrapasse o nível do razoável, com um esquema relativamente simples que fraqueja sobretudo nas cenas militares. O trio de protagonistas não resulta de forma especialmente eficaz (nesse aspecto, já se viu melhor em “Jogos de Poder”), tal como a definição das várias personagens.
Apelando à reflexão de cada espectador e tratando as questões políticas de forma séria mas acessível, “Peões em Jogo” peca apenas por não ser particularmente ousado quer na forma quer no conteúdo.
A melhor cena: Janine recusa noticiar a nova estratégia.
A pior cena: Arian e Ernest fazem a sua comunicação.
Nota: 6/10.